Encontro internacional de artes, IC promove programação que exalta viés político da produção artística

Linn da Quebrada, Daspu e os artistas censurados Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz são destaque do evento Em tempos de crises sociais, políticas, econômicas e simbólicas de grandes magnitudes, a 12ª edição do encontro internacional de artes IC será movida pelo mote “Arte como Luta”. Realizado pela Dimenti Produções Culturais em

Encontro internacional de artes, IC promove programação que exalta viés político da produção artística

Linn da Quebrada, Daspu e os artistas censurados Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz são destaque do evento

Em tempos de crises sociais, políticas, econômicas e simbólicas de grandes magnitudes, a 12ª edição do encontro internacional de artes IC será movida pelo mote “Arte como Luta”. Realizado pela Dimenti Produções Culturais em parceria com a Associação Conexões Criativas, o evento ocorre de 21 a 26 de agosto, no Goethe-Institut Salvador-Bahia, no Teatro Experimental da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no Forte do Barbalho e em ruas da cidade. Em sua programação, com atrações gratuitas ou ao preço de R$ 20 (inteira), espetáculos, performances, shows e intervenções são protagonizados por elencos de representatividade em questões de raça, sexualidades, direitos civis e movimentos sociais, vítimas de linchamentos públicos e ativistas de visibilidade a suas existências. Ingressos já estão à venda em www.sympla.com.br/ic.

“Poderia soar redundante aderir a este lema, mas a realidade expõe como estamos longe de esgotá-lo. O IC12 é de ‘Arte como Luta’ porque precisamos reforçar a liberdade criativa, combater as censuras e resistir diante de retrocessos”, comenta Ellen Mello, uma das curadoras do festival. “Arte é lugar de política, de força transformadora. A fruição da produção artística não deve se limitar a confirmar aquilo que já é consenso. As complexidades do mundo e a subversão de ideias opressoras devem motivar a criação e a experiência dos públicos”, completa.

Estudantes, travestis, prostitutas, militantes, artistas perseguidos, negros e negras, indígenas, periferias e outros indivíduos marginalizados são atores de um total de nove atividades, em 13 diferentes sessões. Destaque para o show da artista multimídia Linn da Quebrada, que será aberto com desfile da grife Daspu, no dia 24. Outra presença que está criando grande expectativa é do espetáculo “Domínio Público”, que reúne Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz, artistas que, no ano passado, foram objeto de acalorados debates em torno da liberdade de expressão, censura e limites na arte.

Para a abertura do IC12, “Quando Quebra Queima” é uma obra construída por estudantes que viveram o processo de resistência e ocupação de escolas em São Paulo, entre 2015 e 2016 – a “dança-luta” da ColetivA Ocupação será apresentada nos dias 21 e 22. Atração internacional, a Societat Doctor Alonso, da Espanha, traz “Anarchy”, uma peça que questiona o poder e a interdependência social, nos dias 25 e 26.

Da Bahia, “QUASEILHAS”, obra de Diego Pinheiro assinada pela ÀRÀKÁ – Plataforma de Criação em Arte, é um mergulho na memória afro-diaspórica, integralmente em idioma africano, o yorùbá, com sessões nos dias 23 e 24. Representando as pautas indígenas, José Urutau Guajajara e Potyra Krikati (RJ/MA) propõem a ação “Urutau – Artivismo Indígena em Contexto Urbano”, no dia 26.

IDENTIDADE, RESIDÊNCIA E BATALHA – A identidade visual do IC12 é composta por desdobramentos do projeto LUTO, da artista baiana Talitha Andrade. Munida de conceitos como guerrilha, artivismo, arte urbana, feminismo, Latino-América e resistência, a série emerge como prática visual em muros e ruas de Salvador. Incluindo e transpondo a intervenção urbana, o evento abarca na programação novas obras de Talitha, nas ruas e nas dependências do Goethe-Institut, com criação ao vivo no dia 22.

Outra prática de engajamento será resultante de uma residência artística do RaSHa SHow, vindo do Piauí. O coletivo vai somar a seus membros 20 participantes selecionados de Salvador, que passarão por uma vivência entre os dias 21 e 24 para apresentar, no dia 25, o “RASHA BATALHA”, ato inspirado nas tradicionais batalhas de breaking, mas combatendo o controle sobre corpos, o preconceito e a hipocrisia. Interessados podem se inscrever até 10 de agosto em www.icencontrodeartes.com.br/ic12/rasha.

Após a performance-batalha, a DJ Nai Sena, da Bahia, comandará a pista de dança para uma festa na noite de sábado – afinal, festejar e ser feliz são dos mais potentes atos políticos!

SOBRE O IC – Realizado anualmente desde 2006, o IC Encontro de Artes é uma iniciativa artística independente, contemporânea e desafiadora, concebida de forma continuada e impulsora de instigantes processos para a produção cultural da Bahia e do Brasil. O projeto abre espaço para articulações, reflexões e intercâmbios como uma plataforma pluriartística de criação e difusão, intermeando os campos da dança, teatro, performance, música, audiovisual e artes visuais, além da crítica artística e da comunicação. Tudo sustentado em princípios como experimentação, deslocamento, risco, livres relações entre processo e produto, flexibilidade e criticidade. Cada edição é atravessada por uma questão simbólica que orienta o processo curatorial e a composição da programação, em consonância com aquilo que move a criação de artistas em diferentes partes do mundo, em associação com as pesquisas dos próprios artistas-curadores-produtores: Ellen Mello, Fábio Osório Monteiro, Jorge Alencar, Leonardo França e Neto Machado.

O IC12 tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda, contemplado pelo Edital de Eventos Culturais Calendarizados.